Soja enfrenta pressão no mercado interno e externo com câmbio, logística e impasse EUA-China

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O mercado da soja iniciou a semana sob forte influência de fatores cambiais, logísticos e geopolíticos. No Brasil, a queda do dólar reduziu o ritmo de negócios, enquanto, no exterior, a Bolsa de Chicago registrou novas baixas diante da colheita nos Estados Unidos e da falta de avanços comerciais com a China.

Dólar em queda afasta vendedores no Brasil

Segundo levantamento do Cepea, a desvalorização do dólar — que atingiu na semana passada o menor patamar desde junho — limitou a comercialização de grandes volumes de soja no mercado interno. A pressão sobre a paridade de exportação reduziu a atratividade das negociações, levando muitos produtores a adotar cautela.

Parte dos agentes busca oportunidades diante da redução da taxa de juros nos Estados Unidos (0,25 ponto percentual) e da manutenção dos juros no Brasil, em seu maior nível desde 2006, cenário que pode atrair fluxo cambial ao país.

Conab prevê safra recorde de soja em 2025/26

A primeira estimativa da Conab aponta que a área de cultivo de soja deve atingir um recorde de 49,08 milhões de hectares, com produção estimada em 177,6 milhões de toneladas. O número é levemente superior à projeção do USDA, que prevê 175 milhões de toneladas.

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Preços da soja variam nas principais praças brasileiras

Os preços da oleaginosa permaneceram estáveis ou com leves oscilações nas principais regiões produtoras:

  • Rio Grande do Sul: cotações em torno de R$ 135,00 por saca no interior; nos portos, R$ 142,50.
  • Santa Catarina: pouca liquidez devido à entressafra; no porto de São Francisco, R$ 140,29 por saca.
  • Paraná: estabilidade em Paranaguá (R$ 141,46, +0,33%) e pequenas quedas em Cascavel, Maringá e Ponta Grossa.
  • Mato Grosso do Sul: quedas de cerca de 0,8% em Dourados, Campo Grande, Maracaju e Sidrolândia; Chapadão do Sul teve baixa de 0,64%.
  • Mato Grosso: preços entre R$ 120,96 e R$ 123,09 por saca, com destaque para o impacto dos custos logísticos — o frete até o Porto de Santos pode chegar a R$ 470,60 por tonelada, reduzindo margens de produtores.
Soja recua em Chicago com pressão da colheita nos EUA

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos de soja abriram a segunda-feira (22) em queda, refletindo os avanços da colheita norte-americana e o início do plantio no Brasil.

Por volta das 6h55 (horário de Brasília), os contratos mais negociados recuavam entre 5,75 e 6,25 pontos: novembro cotado a US$ 10,20 por bushel e maio a US$ 10,68. O farelo e o óleo de soja também operavam em baixa.

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Impasse comercial entre EUA e China amplia incertezas

A soja encerrou a semana passada em queda em Chicago, pressionada pelo impasse nas negociações entre Estados Unidos e China.

  • Novembro: -1,16% (US$ 1.025,50/bushel)
  • Janeiro: -1,11% (US$ 1.044,75/bushel)
  • Farelo (outubro): -0,04% (US$ 282,90/ton curta)
  • Óleo de soja: -1,07% (US$ 50,03/libra-peso)

Segundo analistas, o mercado reagiu negativamente à ligação entre Donald Trump e Xi Jinping, em que não houve menção a produtos agrícolas.

Com estoques internos elevados, Pequim adota postura paciente e usa a soja como instrumento de negociação. Até 11 de setembro, a China não havia reservado nenhum carregamento da safra 2024/25 dos EUA, fato inédito desde 1999, de acordo com a Bloomberg.

Perspectivas para o mercado

A soja acumulou perdas semanais de 2,01% em Chicago, acompanhada pelo recuo do farelo (-1,6%) e do óleo (-3,17%). Especialistas destacam que a volatilidade deve permanecer elevada enquanto não houver definição nas negociações entre EUA e China, exigindo cautela de produtores e traders.

No Brasil, o avanço da safra e o cenário cambial seguirão como principais fatores de atenção para o ritmo das vendas e a formação de preços.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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