Mutirão para Agroecologia e Agrofloresta reúne parceiros do PAS TERRA em missão técnica no Pará

Foto: Djalmir Foto

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Entre os dias 29 e 30 de junho, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) promoveu o Mutirão para Agroecologia e Agrofloresta — Encontro do PAS TERRA de Parceiros e Apoiadores (“Polinizadores”), realizado em Belém e Tomé-Açu, no Pará. A iniciativa reuniu representantes de instituições nacionais e internacionais comprometidas com a transformação sustentável dos sistemas alimentares, a restauração produtiva de paisagens e o fortalecimento da agricultura familiar.

A missão teve como principal objetivo conhecer a experiência do Sistema Agroflorestal de Tomé-Açu (SAFTA), reconhecido nacional e internacionalmente como uma das mais bem-sucedidas referências em agrofloresta e transição agroecológica em regiões tropicais. As visitas e diálogos buscaram identificar lições, inovações e oportunidades capazes de subsidiar a implementação do PAS TERRA, fortalecendo a integração e a ampliação de escala de políticas e programas do MDA e parceiros voltados à agroecologia e aos sistemas agroflorestais, entre eles o Programa Florestas Produtivas, o Programa Ecoforte e Programa Quintais Produtivos.

O encontro contou com a participação de representantes do MDA, da Secretaria Municipal de Agricultura de Tomé-Açu (SEMAGRI), da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (ANATER), do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), do Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF), da Fundo de Florestas e Agricultura da FAO  (FFF/FAO), do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA/IFAD), da EMBRAPA, do CGIAR, do Ministério de Agricultura da Alemanha (APD), Reino Unido, da Plataforma Parceiros pela Amazônia, do Instituto Clima e Sociedade (iCS), do International Institute for Environment and Development (IIED), do Instituto Regenera, do IPAM Amazônia, da Landscape Alliance, da Rockefeller Foundation, da Now Partners, da OMTSE, da Fama Re.capital, do Impact Hub, entre outras organizações parceiras.

Durante a programação, os participantes aprofundaram o debate sobre a implementação do PAS TERRA no Brasil, com foco na integração de políticas públicas, mecanismos de financiamento, ATER, inovação e fortalecimento de capacidades em territórios prioritários. As discussões destacaram a importância da articulação entre diferentes instrumentos governamentais e iniciativas de parceiros para acelerar a transição agroecológica, ampliar a recuperação produtiva de paisagens e fortalecer a geração de renda para agricultores e agricultoras familiares.

A experiência de Tomé-Açu foi apresentada como um exemplo concreto de como a agroecologia e a agrofloresta podem conciliar produtividade, conservação ambiental e inclusão social. Liderado pela Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (CAMTA), o SAFTA evoluiu ao longo de décadas para se tornar um modelo agroflorestal regional de grande escala, demonstrando que a integração de árvores frutíferas e madeireiras com culturas alimentares é capaz de restaurar áreas degradadas, fortalecer os meios de vida rurais, ampliar a resiliência climática e impulsionar uma sociobioeconomia dinâmica.

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Além dos resultados ambientais, o sistema tem proporcionado ganhos econômicos expressivos para agricultores(as) familiares por meio da diversificação produtiva, da agregação de valor e da inserção em mercados diferenciados. A trajetória da CAMTA também evidencia a importância da organização socioprodutiva para o desenvolvimento rural sustentável, destacando o papel do cooperativismo, da assistência técnica e da agroindustrialização na construção de cadeias produtivas mais resilientes e inclusivas.

Como parte da missão, os participantes realizaram uma visita técnica ao parque agroindustrial da CAMTA, onde puderam conhecer processos de beneficiamento e agregação de valor de produtos oriundos dos sistemas agroflorestais da região. O grupo também participou de um diálogo aprofundado sobre as inovações, conquistas e desafios enfrentados pelo SAFTA ao longo de sua trajetória, bem como sobre as oportunidades de adaptação e replicação de seus aprendizados em outros territórios do Brasil e de países tropicais, principalmente a sua transição para a agroecologia.

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A programação incluiu ainda visitas a propriedades rurais que exemplificam diferentes modelos de produção agroflorestal. Uma delas foi a propriedade do agricultor Ernesto Suzuki, onde os participantes conheceram um sistema agroflorestal que integra dendê e outras espécies em arranjos biodiversos. Também foi visitado o lote do agricultor Francisco Alves de Almeida (Sr. Zenildo), referência na adoção de sistemas agroflorestais biodiversos que combinam mandioca, açaí, cacau, maracujá, pimenta-do-reino, banana, andiroba, ipê e diversas outras espécies agrícolas e florestais.

As visitas permitiram observar, na prática, como a diversificação produtiva contribui para aumentar a estabilidade econômica das famílias rurais, melhorar a saúde dos solos, ampliar a biodiversidade e fortalecer a adaptação às mudanças climáticas. Os participantes destacaram que experiências como as de Tomé-Açu oferecem importantes evidências para orientar políticas públicas voltadas à recuperação produtiva de paisagens, ao fortalecimento da agricultura familiar e à construção de sistemas alimentares mais sustentáveis.

Ao reunir governos, organizações internacionais, instituições financeiras, centros de pesquisa, organizações da sociedade civil, fundações filantrópicas e atores do setor produtivo, o Mutirão para Agroecologia e Agrofloresta reforçou o papel do PAS TERRA como uma plataforma de articulação e cooperação para acelerar a transição agroecológica, ampliar a adoção de sistemas agroflorestais e fortalecer estratégias de restauração produtiva em diferentes territórios.

A missão também fortaleceu o compromisso coletivo dos parceiros em apoiar soluções que conciliem produção de alimentos, geração de renda, restauração ambiental e enfrentamento das mudanças climáticas, contribuindo para o desenvolvimento sustentável dos territórios rurais e para a valorização da agricultura familiar como protagonista dessa transformação.

Sobre o PAS TERRA

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O PAS TERRA  é uma iniciativa estabelecida no âmbito da Agenda de Ação da COP30 para acelerar a implementação de soluções concretas voltadas a sistemas alimentares regenerativos, resilientes e inclusivos.

A sigla TERRA remete à expressão “Juntos pela Expansão da Agroecologia e Agrofloresta Restaurativas e Resilientes” (“Together for the Expansion of Restorative and Resilient Agroecology and Agroforestry”, em inglês) que conecta terra, território e planeta como dimensões centrais da transformação dos sistemas alimentares.

A iniciativa busca catalisar inovação, cooperação e investimentos para apoiar a transição rumo a modelos de agricultura e agrofloresta capazes de regenerar sistemas naturais, fortalecer a sociobiodiversidade, ampliar a resiliência climática, melhorar os resultados em saúde e criar novas oportunidades econômicas para agricultores(as) familiares, povos indígenas, comunidades tradicionais, mulheres e jovens.

O PAS TERRA organiza sua estratégia em torno de cinco alavancas de aceleração: fortalecimento de organizações de produtores e de redes de parceiros; inovação em conhecimento, formação e capacidades; ampliação do acesso a finanças híbridas; desenvolvimento de sementes, bioinsumos, mecanização e tecnologias apropriadas; e promoção de mercados, agregação de valor e cadeias sustentáveis.

Nesse contexto, os “polinizadores” são instituições, organizações, fundos, atores filantrópicos, parceiros financeiros e aliados estratégicos que contribuem para mobilizar recursos, conectar redes, apoiar iniciativas territoriais e ampliar o impacto do PAS TERRA no Brasil e em outros países.

Sobre a Agenda de Ação da COP30

A Agenda de Ação da COP30 é a estrutura proposta pela Presidência da COP30 para mobilizar governos, sociedade civil, setor privado, instituições financeiras, comunidades, pesquisadores e demais atores na aceleração da implementação climática global. Seu objetivo é transformar compromissos já assumidos no âmbito do Acordo de Paris e das COPs anteriores em soluções concretas, replicáveis, mensuráveis e capazes de gerar impacto nos territórios.

A Agenda de Ação está organizada em seis grandes eixos: transição de energia, indústria e transporte; preservação de florestas, oceanos e biodiversidade; transformação da agricultura e dos sistemas alimentares; construção de resiliência para cidades, infraestrutura e água; promoção do desenvolvimento humano e social; e facilitadores e aceleradores transversais.

No âmbito da COP30, a Agenda de Ação busca conectar iniciativas existentes, apoiar sua ampliação e dar visibilidade a soluções que promovam justiça climática, combate à fome e à pobreza, redução das desigualdades e desenvolvimento sustentável.

O PAS TERRA se insere nesse esforço ao apresentar a agroecologia, a agrofloresta e a agricultura familiar como caminhos concretos para enfrentar a crise climática, restaurar paisagens produtivas e construir sistemas alimentares mais saudáveis, inclusivos e resilientes.

Texto: Assessoria Internacional do MDA

Edição: Marcelo Carota, Ascom MDA

Fonte: Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar

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