Doze anos depois, incêndio na Boate Kiss é um marco no trabalho da Força Nacional do SUS

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Eram 4h30 da manhã, em 2013, quando o celular da enfermeira intensivista Conceição Mendonça começou a tocar. À época, ela trabalhava como ponto focal do Ministério da Saúde para a recém-criada Força Nacional do SUS (FN-SUS), uma equipe montada para dar resposta rápida e precisa a desastres naturais, crises de saúde pública e grandes eventos. “Quando eu atendi, era o [então] ministro Alexandre Padilha, que só disse para pegar um avião e ir a Santa Maria, no Rio Grande do Sul”, lembra. 

A voluntária da FN-SUS embarcou numa aeronave da Força Aérea (FAB) e chegou ao local às 9h, enquanto ainda saía fumaça da Boate Kiss. “Estava tudo muito desorganizado. O SAMU da cidade não tinha nem um ano de existência ainda, nem havia um hospital público à disposição”, relembra. A partir daí, Conceição passou a organizar a remoção das vítimas a uma unidade de saúde particular . 

No Hospital de Caridade, que recebeu as vítimas do incêndio, pessoas internadas anteriormente – ou que tinham cirurgias marcadas – tiveram de ser realocadas. Aquele 28 de janeiro, há 12 anos, foi todo dedicado a retirar e hospitalizar as pessoas atingidas, em sua maioria jovens universitários. Somente no final do dia foi possível pensar em outras estratégias, como o uso de aeronaves da FAB em favor de quem precisava de auxílio. 

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Na época, foram 67 voluntários enviados pela Força Nacional do SUS para atuarem durante 23 dias em Santa Maria. A FN-SUS realizou 577 atendimentos emergenciais já nas primeiras horas de atuação, ainda nos arredores da casa de shows. 

“Em toda a minha carreira, foi a pior tragédia. Eu senti como minha a dor da mãe que abraçava o filho, já morto; outras iam aos hospitais achando que um familiar tinha morrido, mas o encontrava vivo e nos agradecia. Até hoje, por vezes, eu acordo de madrugada pensando no que poderia ter feito a mais”, lamenta Conceição. 

No total, foram 242 mortes no que ficou conhecido como a ‘Tragédia da Kiss’. A Força prestou total apoio aos municípios e estados que necessitavam de auxílio. Até o funeral coletivo foi organizado, tendo o cuidado de preservar os corpos que mais tinham sofrido durante a tragédia. O ginásio da cidade foi fechado para receber os parentes e foi possível velar por todas as vítimas num único dia. 

Missão da FN-SUS 

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O Ministério da Saúde seguiu cuidando das vítimas nos meses seguintes. Além dos repasses de verba feitos na esteira da tragédia, houve ampliação de leitos hospitalares e especialidades abrangidas pelas unidades ligadas ao SUS, com contratação de profissionais e compra de equipamentos. 

“Nosso trabalho é salvar vidas e minimizar impactos na saúde pública. A memória das vítimas da Boate Kiss segue viva, e isso nos motiva a aprimorar continuamente nossas respostas e a estar sempre onde o Brasil precisa”, destaca o coordenador-geral da FN-SUS, Rodrigo Stabeli, reforçando a missão para a qual surgiu o grupo. 

“E seguiremos atuando para que nenhum brasileiro fique desamparado em situações críticas. Trabalhamos lado a lado com estados e municípios, levando equipes médicas especializadas, insumos e apoio às gestões locais de saúde”, conclui. 

Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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