Encontro do Ecoforte inaugura modelo inovador de monitoramento participativo das políticas agroecológicas

publicidade

O Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) participou, em Juazeiro (BA), do Encontro das Redes do Programa Ecoforte, que reuniu cerca de 80 representantes de redes de agroecologia, extrativismo e produção orgânica de todas as regiões do Brasil. O encontro foi proposto pela Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (CNAPO) e pela Fundação Banco do Brasil (FBB), com o apoio de diversos parceiros como o Comitê Chico Mendes, AP1MC e Conab.

Realizado nos dias 14 e 15 de outubro, o evento antecedeu o 13º Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA), marcando a retomada do Programa Ecoforte, edital relançado em 2023 como uma das principais ações estruturantes da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO) e que teve sua terceira edição lançada em 2024. O encontro promoveu a integração entre as Redes que iniciam a execução de seus projetos e o alinhamento com o histórico e os objetivos do Programa Ecoforte, além de abrir caminho para uma nova abordagem de monitoramento das políticas públicas voltadas à transformação dos sistemas alimentares nos territórios, com ampla participação social.

Na abertura, representantes do governo e da sociedade civil destacaram a importância da participação social e da abordagem territorial na construção de políticas públicas. O representante da sociedade civil na CNAPO, Rogério Dias, ressaltou o papel das redes como base do programa e o desafio de fortalecer o monitoramento participativo como ferramenta de controle social. “O processo de articulação em rede nos permitiu voltar mais organizados e mais fortes. O Ecoforte é uma ação estruturante do PLANAPO.”

Para a CIAPO, o Ecoforte representa um marco na forma de fazer política pública, por ser uma chamada que parte dos territórios e das redes. Durante o evento também foram destacadas as novas parcerias internacionais com o Fundo Amazônia e a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) que apoiarão o sistema de monitoramento e avaliação do programa em todo o país. Para Marcelo Fragozo, membro da CNAPO e representante da Secretaria-Geral da Presidência da República (SG-PR), “o Programa Ecoforte é um exemplo concreto de inovação, reunindo três dimensões fundamentais: participação social, transversalidade e abordagem territorial, que garante que as ações se adequem às realidades locais e que as soluções surjam de quem vive e trabalha nesses espaços”. Afirmou, ainda, que o Governo do Brasil está comprometido em fortalecer essa parceria com a sociedade civil para consolidar políticas estruturantes da agroecologia e do desenvolvimento sustentável, e que esse deve ser um caminho percorrido coletivamente.

Leia Também:  Governo do Brasil lança livro sobre os 90 anos do Salário Mínimo e celebra 20 anos da Política de Valorização

Com investimento total de R$ 84,5 milhões, o Ecoforte apoiará 37 projetos em todas as regiões do Brasil, beneficiando diretamente 15 mil famílias agricultoras e cerca de 60 mil pessoas de forma indireta. O encontro em Juazeiro reafirmou o compromisso do Governo do Brasil com a integração das políticas públicas e com a transição agroecológica como caminho para um Brasil mais justo, saudável e sustentável.

O secretário de Agricultura Familiar e Agroecologia do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Vanderley Ziger, destacou o papel relevante do Ecoforte na transição agroecológica. “O Ecoforte reafirma que a transição agroecológica é um caminho possível quando nós, do governo, atuamos em parceria com quem produz. É uma política construída em rede, que fortalece a agricultura familiar, amplia o acesso ao crédito e à assistência técnica, e promove práticas sustentáveis que respeitam a natureza e geram renda.”

Mais sobre o programa

O Ecoforte é um programa que apoia redes territoriais de produção sustentável, fortalecendo práticas agroecológicas e de manejo da sociobiodiversidade, com foco na geração de renda, autonomia e segurança alimentar. Criado em 2013, trata-se de uma iniciativa da Fundação Banco do Brasil e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), a Secretaria-Geral da Presidência da República (SG-PR), o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Banco do Brasil.

Leia Também:  Ministério de Portos e Aeroporto promoverá 74 bolsas de estudo para formar Mecânicos de Manutenção Aeronáutica (MMA)

Glória Batista, da coordenação do PATAC, entidade proponente da Rede de Agroecologia do Cariri Seridó Paraibano explicou que a rede na qual atua conta com 95% de mulheres atuando nas feiras agroecológicas e na produção de alimentos, e o projeto ampliou a autonomia dessas mulheres. “O que o Ecoforte traz muito forte no campo da inovação das políticas públicas é exatamente apoiar o trabalho em rede. A gente se preocupa muito com as políticas públicas difusas nos lugares e nos territórios, muitas vezes. Então, fortalecer redes é também uma forma de você articular atores sociais e ao mesmo tempo construir uma política pública articulada com o que existe localmente. E o impacto que vai trazer para a vida dessas mulheres, no sentido do consumo alimentar, da segurança e soberania alimentar, mas também de ampliar a sua renda acessando a mercado justo, como as feiras agroecológicas, colocar mais alimento para o PAA, para o PNAE”, acrescenta Glória.

Glória ainda avalia que a iniciativa fortalece a incidência das políticas públicas, contando ainda com participação social. “O Ecoforte dá a possibilidade de fortalecer os bens comuns, por exemplo, as sementes crioulas, a proteção do bioma que atende, mas você também articula pessoas. Não existe território sem pessoas, sem construção de conhecimento. Então, tem de inovação exatamente esse diálogo entre saberes, com a academia, na perspectiva da construção do conhecimento agroecológico. Então isso é algo bastante inovador e que é também uma apropriação do conjunto da rede”, conclui.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade