Agro apresenta 5 prioridades para o próximo governo reduzir custos e ampliar investimentos

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Crédito mais previsível, proteção contra perdas climáticas, produção nacional de insumos, infraestrutura e acesso a mercados formam as cinco prioridades apresentadas pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) para o próximo governo. A entidade defende políticas permanentes, com planejamento que ultrapasse os quatro anos de um mandato e permita ao produtor, às cooperativas e às empresas investir com maior segurança.

As propostas integram a Agenda Estratégica da Agroindústria Brasileira. O documento relaciona a competitividade do setor às condições disponíveis para financiar a produção, incorporar tecnologias, transportar mercadorias e negociar com compradores internacionais. O objetivo é coordenar ações públicas e privadas que hoje dependem de diferentes instituições e fontes de recursos.

Na propriedade rural, essas questões se encontram na mesma conta. O custo do financiamento pesa na compra dos insumos; a disponibilidade de seguro influencia a exposição a uma quebra de safra; e as condições de armazenagem e transporte interferem no valor que sobra depois da venda.

A primeira proposta reúne financiamento, seguro rural e capacidade de enfrentar eventos climáticos extremos. A Abag sugere um planejamento financeiro para vários anos, articulando instrumentos públicos e privados, além de ampliar o acesso ao crédito para investimento e capital de giro. Também propõe um Fundo Nacional de Catástrofes Climáticas.

O alcance do seguro ajuda a dimensionar essa demanda. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), que paga parte do preço das apólices, atendeu mais de 42 mil produtores e cobriu 3,2 milhões de hectares em 2025.

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Parte dessa discussão ganhou novas regras com a Lei nº 15.526, publicada em 30 de setembro. A legislação tornou obrigatórias as despesas com a subvenção, limitadas ao valor previsto na proposta orçamentária enviada pelo Executivo e condicionadas às exigências de compensação fiscal. Também alterou as condições para constituir e financiar o fundo destinado à cobertura suplementar do seguro rural. Sua operação, porém, depende de estruturação e recursos.

A segunda prioridade é fortalecer as cadeias industriais que abastecem o campo. A entidade propõe estimular a produção nacional de insumos, máquinas, equipamentos e tecnologias, além de dar maior previsibilidade à análise de novos produtos pelos órgãos responsáveis.

Nos fertilizantes, a dependência externa permanece elevada: o Brasil importa cerca de 85% do que utiliza, conforme o Mapa. Essa exposição torna o abastecimento sensível a variações cambiais, preços internacionais e problemas nas rotas comerciais. Ampliar a produção interna envolve investimentos industriais e disponibilidade de matérias-primas, com resultados que demandam tempo.

A infraestrutura constitui a terceira frente. A Abag defende coordenação permanente dos investimentos em armazenagem, rodovias, ferrovias, hidrovias, energia e conectividade. Propõe ainda harmonizar os processos de licenciamento e autorização, com decisões técnicas, prazos mais previsíveis e preservação da proteção socioambiental.

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Para o produtor, o efeito esperado é reduzir despesas e limitações que aparecem depois da colheita. A disponibilidade de armazéns amplia as opções para organizar a comercialização, enquanto a integração dos transportes pode melhorar o escoamento. Energia e conexão digital também sustentam o funcionamento de equipamentos e a adoção de tecnologias.

A quarta proposta trata de comunicação e educação. O documento recomenda iniciativas permanentes para ampliar o conhecimento sobre a participação da agroindústria na produção de alimentos, na inovação, na sustentabilidade e no desenvolvimento econômico.

Na quinta frente, a Abag propõe uma política contínua de inserção internacional e defesa comercial. A estratégia prevê atuação conjunta de governo, instituições científicas e setor produtivo para ampliar mercados e enfrentar tarifas, exigências sanitárias e outras barreiras às exportações.

A execução dessa agenda envolve decisões sobre orçamento, regulação e financiamento, além da participação de diferentes níveis de governo e da iniciativa privada. Para quem produz, o resultado será medido na disponibilidade de crédito e seguro, no custo dos insumos, nas condições de escoamento e nas oportunidades de comercialização.

Fonte: Pensar Agro

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